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publicado por anita, em 11.11.10 às 18:41link do post |  O que é? |  O que é? | favorito

Quando entrei nos meus 25 anos,

comecei a ter consciência de que envelhecer era uma realidade que até então não tinha sequer imaginado que existia. Comecei a observar a decadência física ou mental de alguns familiares e familiares de amigos meus.

Como li alguns autores orientais, sempre fui adepta de que os mais velhos deveriam ser os nossos mestres de vida e, respeitá-los, ouvi-los e beber a sua experiência, sempre foram o meu modo de vida. Evidentemente que naquela altura ninguém me compreendia e cheguei a ter discussões homéricas com amigos que diziam, por exemplo quanto aos lares, que eu nunca ficaria com os meus pais na minha casa se eles tivessem problemas na sua velhice.

Discordei na altura. Discordo hoje em dia.

Realmente não deve ser fácil, mas só de pensar em "abandonar" os nossos progenitores, dá-me náuseas.

 

Envelhecer.

Não é o que todos estamos a fazer neste preciso momento?

É.

E há que saber lidar com isso da melhor forma, esquecendo o que fomos e como o fomos.

Criar alternativas para o viver da melhor forma. Aproveitar o passado para não cometer os mesmos erros....

Não ceder à perguiça, à nostálgia.

Ir em frente e gozar da melhor forma possível o que aí vem.

 

Parece tão fácil....mas não é.

Pelo menos para mim.

Em 20 anos muita coisa mudou e tem tudo a ver com o físico - as dores vêm não sei de onde, aparecem rugas, de expressão, é certo, mas aparecem....eheheh.....queremos emagrecer e demora "séculos", a celulite ataca impiedosamente e esquecemos tudo (parecemos doidos!).

Mas isto é o de menos.

O frustante é começar a ver pessoas amigas a terem doenças violentas, sem as podermos ajudar como outrora.

E a angustia toma conta de mim.

Muitas vezes penso: "Quando é que chegará a minha vez?"

 

E para além disto, há a sociedade. Talvez agora numa postura mais ténue, mas ainda assim, castradora de vontades.

Queremos continuar a dançar, a curtir, a fazer o que faziamos, sem culpas e sem medos e com a mesma alegria!

A minha geração fá-lo. Ou pelo menos a grande maioria dos meus conhecidos.

 

Tenho no entanto, uma teoria - o "remake"!

Quantas e quantas vezes vemos remakes de músicas? Velhas músicas do fundo de baú, mas que com um mix aqui, e outro tom acolá, ficam novinhas como alfaces frescas! Parecem novas.

Não estaremos nós em constantes Remakes? Se o fizermos, talvez tenhamos a ilusão de constante....

Ilusão ou não....mas se estivermos em constante mutação, o cérebro não envelhece. O corpo talvez, mas não a mente.

E mesmo assim, com as actuais novidades estéticas......

 

 

Mas é uma incógnita. Parece que estamos a jogar à roleta russa!

Uma violência psicológica para mentes mais frágeis.

 

Pena que não tenha estudado medicina na especialização de geriatria...sempre conseguiria ajudar os outros e a mim própria a envelhecer.


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