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publicado por anita, em 09.01.11 às 21:02link do post |  O que é? |  O que é? | favorito

Finalmente cheguei a casa.

O dia de hoje foi danado: muito trabalho, algum stress e a cabeça noutras paragens...

Agarrei na primeira revista que me veio à mão e li o horóscopo chinês - Cão, é o meu.....e ainda tem a lata de só dizer maravilhas!!! "Cambada de charlatões", pensei mal humorada.

Comecei a folhear a revista de trás para a frente e a meio da revista pensei no que me haviam dito acerca deste acto tão simples....que somos pessoas ansiosas.

Irra, que hoje são só sinais da treta.

 

Volto às pessoas, ao que nos é mais válioso, apesar dos altos e baixos.

Não me consigo imaginar sem observar atentamente os seus comportamentos mais ténues, quase despercebidos, mas que querem dizer sempre alguma coisa. É fantástico, mesmo que isso nos possa magoar profundamente.

Tenho esta necessidade capital: de compreender o que leva as pessoas a tomar certas atitudes, ir ao fundo dos porquês, juntar o puzzle e concluir um panorama final. Sem isto, sinto-me sem pilares que me sustentem e não consigo sair do mesmo sítio. Percebendo, concluo e sigo em frente. Aproveito sempre o aprendizado. Quer queiramos quer não, é sempre aproveitado de alguma forma.

 

Faço muito este exercício em locais públicos, onde as pessoas se misturam, não distinguindo raça, idade, sexo ou estrato socio-económico. Supermercado, Estádio de Futebol, Igreja.

 

 

Ontem fui à Missa.

Há muito tempo que não ía à missa. A paz que nos transmite é soberba, inantingível.

Na omilía, o padre falava do baptismo....absorvi todas as palavras de uma maneira absoluta. Parecia que quanto mais escutava, mais serena ficava.

Mas não.

Por mais que quisesse, não consegui conter silenciosamente as gotinhas salgadas que saiam dos meus olhos.

E quando chegou a altura do cumprimento entre os presentes, não me mexi do meu lugar, encostada que estava a um pilar de mármore. Mas o inédito desta pequena passagem, é que uma senhora dos seus 40 como eu, acompanhada pelo seu marido de blaser castanho, cabelo grisalho, mais comprido do que é normal para um homem; ela vestida de tons branco e cinza, cabelo encaracolado loiro, descontraida; pois bem, esta senhora, que estava 5 metros à minha frente, virou-se ostensivamente, deu duas passadas em minha direcção e, com um largo sorriso, me estendeu a sua mão para me cumprimentar. Estendi também eu a minha.

Não vos sei explicar, para senti uma energia tão positiva que o meu corpo tremeu.

Acabados os rituais, todos sairam e não mais reparei nesse casal.

 

Há pessoas que nos tocam, e entendam a palavra "tocam" no sentido emocional, de uma forma única.

Este instante, tão fugaz, tão desmerecido de comentário maior, foi o momento que mais mereceu a minha atenção em todo o dia.

 

Dá que pensar.


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