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publicado por anita, em 15.10.10 às 20:24link do post | favorito

O meu pai era filatelista.

Naturalmente tinha selos de borla e escrever aos amigos era fácil.

Nas férias grandes do Verão, os meus amigos e eu, mantinhamos contacto uns com os outros, não por telefone ou telemóvel, nem sequer por redes sociais, mas por carta ou postal.

E com selo!

Sim, selo, daqueles com cerrilha cujo denteado declara ser um valioso ou curriqueiro selo.

Todos os anos íamos de férias para fora da Capital e o mais giro de tudo era escrever ás amigas contando o que tinhamos feito no fim de semana, quem tinhamos conhecido...chegavamos mesmo a enviar pequenos objectos nas cartas, provas do que diziamos ou apenas uma lembrança do local.

Giro também, era esperarmos pelas respostas e novidades dos lugares onde estavam, imaginando isto e aquilo.

As cartas eram enormes, sempre muitas páginas, com desenhos, perfumes e de todas as cores.

Tenho-as todas.

Toda a correspondência que recebo, guardo-a.

E releio-a sempre que me sinto triste.

E releio-a sempre que me quero sentir bem.

 

Hoje recebo sms.

Ora, considero-me uma pessoa inovadora e que gosta de inovações.

Também envio sms.

Mas perdeu-se qualquer coisa nesta evolução tecnológica, não sei bem o quê.

Ao revés, também se ganhou muito, principalmente a velocidade com que os acontecimentos se percipitam... ou não.

As notícias voam á velocidade da luz, boas, más, terríveis, óptimas!

A informação é a verdadeira rainha desta década - todos sabem tudo, ou pelo menos julgam saber.

 

Nas cartas a escrita é mais demorada e pensada, sem "kero", "LOL", "yep", e outras abreviaturas.

Nas cartas o mastigar do pensamento é maior, mais ponderado, mais sentido.

Claro que também há lugar para a impulsividade: escrever o que nos dá na gana, chamar nomes dos feios ou declarar-se apaixonado.

Mas a grande vantagem é que as podemos reler e, das duas uma:

Lamber o selo e colá-lo!;

Ou rasgá-la definitivamente.

 

Já com a sms, se és impulsivo, esquece, quando deres por ela, uma das operadoras telefónicas móveis em Portugal, já te enviou aquilo que não querias dizer.

Por outro lado, estas operadoras também enviam aquilo que queres dizer realmente, só que mais cedo!

 

Apesar de tudo, no Natal, continuo a enviar postais com selo aos meus amigos.

A frase é sempre a mesma: "Como é que tens paciência?"

Respondo para não os desiludir -

 

"Fiquei sem bateria!"


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