idéias soltas
Quinhones
Idéias, Memórias, Frases, Textos
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publicado por anita, em 26.07.10 às 00:30link do post | favorito

Pelos menos uns 3 km me distanciavam daquele espectáculo.

Não podia deixar de ir.

Fui a pé.

A lua cheia acompanhou-me pela orla marítima e cheguei sem perceber o tempo.

Noite verdadeiramente tropical, uns 30ºC!

Calças brancas e singlete azul, até o colar de búzios anunciavam uma noite magnífica.

Foi, de facto.

Na relva fresca, sentei-me e limitei-me a ouvir os sons mais puros de jazz - Diana Krall.

Fui sozinha.

Só estive em dois concertos sozinha: este e Titãs, grupo brasileiro, em Pelotas, Rio

Grande do Sul, Brasil, fronteira com Uruguai. 

Neste, o vento quente e apetitoso, foi suficiente para poder, durante duas horas, esquecer tudo.

No outro, idem aspas, sem tirar uma vírgula.

Afinal, estar sozinha, não é assim tão mau.

Não sabes o que perdeste.


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publicado por anita, em 14.07.10 às 20:21link do post | favorito

Maquinalmente agarrou o cabelo e fez um coque.

Sua mãe sempre lhe diz para apanhar o cabelo "ficas mais leve", mas sempre achou que a fazia mais velha.

Perto de entrar nos "enta" que começam por um "q", parecer mais velha não é opção.

Pega num disco de algodão e retira a maquilhagem dos olhos lentamente, como se de uma cena em câmara lenta se tratasse.

Olhou para o espelho uns momentos.

Ainda faltam os 3 passos: lavar, esfoliar e hidratar.

E assim fez, com calma e sem escutar os barulhos de fundo das crianças, alheou-se do mundo e entrou no seu.

 

O seu mundo.

Porque só pode ser só seu.

Ninguém o compreende nem tão pouco o apoia.

 

Sente-se muito só.

 

Tanto, que consegue ouvir o seu coração a bater e a sua respiração em movimentos lentos de inspiração e expiração.

"Só tu fazes isso"; "Só tu pensas assim"; "Fazes e ninguém te retribui".

"Sim, faço assim, penso assim e sou assim.", diz a olhar para o espelho.

 

Sorri.

 

Os dentes brilharam e pensou no que lhe tinha dito havia uns dias "quem tem dentes bonitos beija bem".

Sorriu novamente. "Que disparate", pensou. Quem terá inventado esta analogia?

 

Tem um sorriso bonito.

 

Discretamente, isola-se e escreve.

Só a escrever consegue colocar os pensamentos em ordem.

Não por prioridades, mas em ordem.

 

As prioridades normais, há muito que o não são.

Ter-se-á tornado egocêntrica?

Um pouco talvez.

 

Mas mesmo com os pensamentos em ordem

Com soluções para os desvios dessa ordem

Continua sem entender.

 

"Como é que é possivel?"

Perguntou-se tantas vezes

Mas a resposta não vem, sabe disso.

Ou melhor, a resposta ela sabe-a,

Mas quer escondê-la, enterrá-la e fingir que não existe.

 

Sente-se só.

 

E queria falar, perguntar, responder e chegar a um entendimento.

Mas a recepção é fria.

Calculista.

Indiferente.

Arrogante.

Tal como um animal ameaçado.

"Medo." "Insegurança".

Faz parte.

A vida e as pessoas são assim mesmo - não somos animais mas temos instintos animais, e neste caso, não foram, de todo, os mais agradáveis.

 

Queria dizer qualquer coisa que valesse a pena naquele momento em particular.

Mas não saiu nada. E o que saiu parecia saído de um filme de Woody Allen, sem jeito nenhum, aos trambulhões.

 

Gosta de Woody Allen e dos seus filmes, aliás estes filmes são sempre um retrato fiel da sociedade e dos relacionamentos entre as pessoas.

Por mais nú e crú que nos pareça.

É real.

 

O sol estava a pôr-se e a imagem laranja azulada daria uma bonita fotografia.

 

Talvez noutra altura.

 

 

 


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publicado por anita, em 13.07.10 às 15:06link do post | favorito

 

“Não há como trilhar o caminho certo ou errado. Só sei que prefiro ter consciência e coragem sobre minha Dor, mesmo nos momentos de fraqueza. Estou num caminho, estamos, e isto faz toda a diferença, de descoberta sobre nós mesmos. Não é algo em que exista ajuda ou medo. É preciso seguir em frente, subir os degraus (depois de ter o vislumbre da escada, é impossível deixá-la de lado). Sei o ‘final’ que queria; Um amor que flui onde tudo é feito desta matéria misteriosa do silêncio. Onde varrendo a casa ou vendo o pôr-do-Sol eu esteja consciente da beleza da vida, do seu constante movimento. Intimidade com a natureza. Ser a tal folha levada pelo vento do Alberto Caeiro:

 

“Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer coisa
Que tem que ver com haver gente que pensa …”

 

(…) sinto que preciso abrir cada vez mais os olhos, mas isso não depende de mexer minhas pálpebras, para isso é necessário Fazer, é preciso compreender a vida, sua corrente e se deixar levar por ela. (…) Não esquecer da existência. Não ouvir a rotina da mente. Quero me despir do que me ensinaram, do que querem que eu seja para ensinar o mesmo aos meus filhos. Sei que não quero isso. No fundo vou me deixar ir, brincar com o silêncio entre as palavras, com o não fazer nada. Estar nua e só. (…)

Aos poucos vamos nos tornando leves, simplificados.”

 

In wandering star

 


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publicado por anita, em 13.07.10 às 13:57link do post | favorito

"Aqueles que passam por nós,

não vão sós...

não nos deixam sós...

Deixam um pouco de si e

levam um pouco de nós..."

 

Antoine de Saint-Exupéry


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publicado por anita, em 10.07.10 às 21:48link do post | favorito

A Ponte 25 de Abril.

Já a vi sob várias perspectivas.

Durante 3 anos passei pela Ponte diariamente e de facto, o que fica na memória, são as paisagens do mar e Bugio quem vai para a margem sul, por um lado.

Por outro, o rio Tejo e a cidade de Lisboa quando de vai em direcção à capital.

 

Alguns dados relevantes sobre a Ponte 25 de Abril, à data da sua inauguração:

  • 1 012,88 metros de comprimento do vão principal
  • 2 277,64 metros de distância de amarração a amarração
  • 70 metros de altura do vão acima do nível da água
  • 190,47 metros de altura das torres principais acima do nível da água (o que a torna a segunda mais alta construção de Portugal e uma das pontes mais altas da Europa, com o viaduto de Millau em França)
  • 58,6 centímetros de diâmetro de cada cabo principal
  • 11 248 fios de aço com 4,87 milímetros de diâmetro, em cada cabo (o que totaliza 54,196 quilómetros de fio de aço)
  • 79,3 metros de profundidade, abaixo do nível de água, no pilar principal, Sul
  • 30 quilómetros de rodovias nos acessos Norte e Sul com 32 estruturas de betão armado e pré-esforçado
    • Estes resultados foram obtidos com a aplicação de 263 000 metros cúbicos de betão e 72 600 toneladas de aço.
    • Na ponte sobre o Tejo pode ouvir-se constantemente este som (59s) que corresponde à deslocação dos carros no tabuleiro.

É curioso, mas não diz quantas luzinhas brancas e vermelhas estão penduradas nos cabos de aço.

E já agora quem as vai trocar quando se fundem.

 

 

Há também uma visão muito interessante da Ponte, perto do restauranteClique para ver o SITE em Cacilhas, cuja única estrada para lá chegar é esta .

 

De costas para a Ponte, as luzes apagam-se.

O dia não tarda a nascer.

Hora de dizer até amanhã.

 


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publicado por anita, em 02.07.10 às 20:20link do post | favorito

Estavam os quatro estafados, cada um sentado desleixadamente, cansados da noite que já ía alta e do trabalho que não terminava.

O fumo dos cigarros rodopiava pelo ar seco e morno, numa paisagem desprovida de graça, azul e cinza.

Tremi a olhar para aquele cenário - eram os 4 zeros.

Voltaram. E em grande estilo.

 

O tempo passa, cavalgando, atropelando o que quer que seja que esteja á sua frente.

Tudo se precipita, tudo acontece, sem que o tempo peça licença.

Simplesmente acontece.

Sem objectivo algum premeditado.

 

Sem se perceber, as vidas vão sendo alteradas lentamente, como uma cozedura em lume brando.

Ninguém dá por nada, até observarmos que afinal já não somos os mesmos, já não temos as mesmas atitudes e nem dizemos as mesmas coisas.

 

Algo mudou.

 

Os zeros fingem que nada acontece.

E continuam os seus caminhos

Presos, por elos invisíveis

Soltos, á vista de toda a gente.

 


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