idéias soltas
Quinhones
Idéias, Memórias, Frases, Textos
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publicado por anita, em 29.08.10 às 11:12link do post | favorito

A manhã estava morna e lá fora ecoavam os tristes desabafos de uma fadista portuguesa.

Que interesse teriam em ouvir tão alto este fado triste, numa manhã tão bela, iluminada por este sol que ainda não ferve mas adivinha uma tarde quente?

Interesse....

 

"Interesse designa em psicologia uma disposição de juízo dirigida a uma ação ou atividade: assim as pessoas se diferenciam com relação a quais atividades são consideradas atrativas e quais não o são. Interesse se diferencia de motivo, uma vez que este se refere ao juízo das consequências da ação: as pessoas se diferenciam, por exemplo, com relação a quanto o sucesso ou o reconhecimento é importante para elas"

Outro diccionário designa Interesseiro como:

"adj. Que atende só ao próprio interesse. Egoísta. Aquele que cuida especialmente dos seus interesses, que é egoísta.

 

Conheço muita gente interessante e cujos interesses vão de encontro ao bem comum: ideias fantásticas, sãs, ordeiras e capitais.

Por vezes atravessam-se interesseiros nos nossos caminhos e dou-lhes sempre a oportunidade de reverem as suas posturas falsas e sem destino real. Creio que na maior parte dos casos, identifico de imediato o verdadeiro objectivo daquela pessoa, mas dou sempre o benefício da dúvida, pois nunca conhecemos as verdadeiras motivações desse indivíduo, nem o que pensa realmente acerca disto ou daquilo.

Com o decorrer dos tempos de convívio, enfim declaramos que afinal os seus interesses são individuais e egoístas.

Chegamos à triste e velha conclusão de que apenas se aproximam de nós por puro e cruel interesse. Nada de novo, apenas mais uma constatação de que o ser humano ainda tem de desenvolver muito as suas reais capacidades e a sua energia, para campos puros de busca do novo, da reorganização dos seus saberes, de soluções impensadas.

Principalmente, terem mais confiança no que são e no que querem, buscando formas inovadoras de o alcançar, ou não, apenas recorrendo às tradicionalmente existentes, mas sempre com um fundo de verdade.

Não para os outros, aqueles que infantilmente pensam enganar e ludibriar com as suas frases mansas e engraçadas, mas para si próprios. Pois sem a verdade, serão apenas metade (senão menos) daquilo que poderiam ser.

Uns chegarão a tempo a essa conclusão, outros tarde demais!


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publicado por anita, em 27.08.10 às 15:14link do post | favorito

Nome estranho - Tuiuiu.

Os Guias do Pantanal disseram-nos que se chama assim pelo facto de emitir este mesmo som....e é mesmo.

Experimentem dizer duas vezes Tuiuiu com acento arrastado no último "u"....é assim mesmo que eles piam.

Ecoam por todo o Pantanal em sons alternados, formando uma orquestra desencontrada e ao mesmo tempo equilibrada, naqueles espaços quentes e húmidos, onde o céu e aterra se encontram virgens.

Os sons do Pantanal são únicos para mim - Parece que há um silêncio muito grande, mas na realidade, o Pantanal vive ferozmente de noite e dia - Desconhecidos aos meus ouvidos, são constantes, altos, baixos, sussurros, mas constantes.

Fiquei tão fã deste pássaro e tenho uma T-Shirt com o seu desenho.

 

É considerada a ave-símbolo do Pantanal

O tuiuiú também é conhecido como Jaburru, tuim-de-papo-vermelho (no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) e cauauá (no Amazonas). Ele é conhecido principalmente como jabiru no sul do Brasil, enquanto que o nome tuiuiú é usado para designar o cabeça-seca (Mycteria americana).

O tuiuiú é uma ave pernalta, tem pescoço nu, preto, e, na parte inferior, o papo também nu e vermelho. A plumagem do corpo é branca e a das pernas é preta. Ele chega a ter 1,4 metros de comprimento e mais de 1 metro de altura, e pesar 8 kg. A envergadura (a distância entre as pontas das asas, abertas) pode chegar a quase 3 metros. O bico tem 30 cm, é preto e muito forte e a fêmea, geralmente, é menor que o macho.Devido a sua beleza exuberante, chama a atenção de todos os turistas que frequentam o Pantanal.

O habitat do tuiuiú são as margens dos rios, em árvores esparsas. A fêmea forma seus ninhos no alto dessas árvores com ramos secos e a ajuda do companheiro. Os ninhos são feitos em grupos de até seis, às vezes juntos a garças e outras aves. A fêmea põe de 2 a 5 ovos brancos.

Sua alimentação é basicamente composta por peixes, moluscos, répteis, insetos e até pequenos mamíferos. Também se alimenta de pescado morto, ajudando a evitar a putrefação dos peixes que morrem por falta de oxigênio nas épocas de seca.

 


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publicado por anita, em 20.08.10 às 21:30link do post | favorito

Desde sempre que sou uma observadora da atitude humana nas suas mais diferentes facetas.

Nas férias, presenciei três pequenos episódios que gostaria de convosco partilhar.

 

No estacionamento de um shopping, saio lentamente no meu carro, curvo á esquerda e vejo que à minha frente está uma fila; tendo ficado a tapar uma passagem para dentro do parque, passagem essa com stop, faço marcha atrás para que esses carros entrem, já que eu não conseguia avançar - havia fila, recordam-se? Ora, qual não é o meu espanto, quando sou buzinada fortemente pelo carro detrás, com direito a gestos ferozes para mim (e para o stop - não vês minha burra que nós temos prioridade??? devia ser o que me queria dizer....) e abanões de cabeça por parte duma mocinha cheia de pressa, encafuada num daqueles carritos do século passado.

Olhei para o retrovisor e sorri.

A fila entretanto avançou e avançamos também.

Esta situação não tem nada de novo, mas evidencía vários aspectos:

1. A menina não era educada;

2. Não detinha o conhecimento total: Ela não sabia que havia fila;

3. Concluiu precipitadamente: Deduziu imediatamente que eu fosse uma "anormal" por estar a dar passagem a carros que tinham um STOP!

4. Manteve-se ignorante: Seguiu o seu caminho, sem sequer colocar a hipótese de que poderia ter acontecido algo que ela desconhecia;

5. Faltou-lhe Confiança

Esta pequena narrativa revela o que muitos de nós somos no quotidiano - nunca damos o benefício da dúvida a ninguém. Nunca vemos que pode sempre haver outra razão/causa para uma situação.

Não perderemos todos com esta falta?

 

Numa Clínica Médica, após algum tempo de espera, lendo revistas do ano passado (e ainda assim descobrindo algumas fofocas), começo a ouvir um misto de inglês, português e uma qualquer outra língua nórdica, numa fala completamente atabalhoada e num tom mais alto do que o costume para uma clínica. A figura, uma senhora altíssima, magérrima, cabelo curto e loiro, envergando um top vermelho com riscas brancas e umas calças de ganga com dobra até ao joelho, aparentava não ter menos de 70 anos. Altiva mas sorridente, ao balcão de atendimento, tentava aprofundar algumas questões, como o preenchimento de uma ficha em português que não entendia, quando seria o pagamento do acto médico e se em multibanco ou cash. Algo que não parava de dizer é que o médico a conhecia há 25 anos e que não havia necessidade de preencher qualquer documento. O rapaz que a atendia, começou a falar num tom mais alto, em português, como é comum vermos nos filmes, para ver se a senhora o entendia. Ela não percebia patavina.

Não contente com isso, esse mesmo rapaz, sempre que a senhora não o visse, ria-se e olhava para os restantes presentes como quem diz "Esta é maluca!"

Conclusão: o que este rapaz não percebeu é que quem é maluco é ele:

1. No atendimento, nunca devemos demonstrar o que quer que seja da nossa opinião pessoal, quer para o nosso interlocutor directo, muito menos fazer comentários ou caretas de desagrado ou gozo para a plateia. É uma falta de profissionalismo.

2. E já agora, vá prender inglês!

3. Nem sei como a senhora conseguiu fazer os exames!!!!

 

Numa estação de serviço entre o Algarve e Lisboa, os meus filhos decidem que querem comer o 3º gelado do dia.

Sem forças para os contrariar, lá paramos e saímos para os comprar.

Como era de esperar, fila para tudo: wc, café, lanche e, claro, gelados!

Com paciência, ficamos na fila, onde todos reclamavam o excesso de tempo para pagamento.

Entretanto, uma das crianças vê um stand da Olá e claro desata a correr e confirma: ali não há fila! Maravilha - dei-lhe umas moedas e lá trouxe os gelados. Com a precipitação, enganou-se no gelado da irmã. Saí da fila do café e fomos trocar o gelado. Quando encaramos a senhora dos gelados e lhe pedimos para efectuar a troca por outro, começou a confusão: a senhora explicou-me várias vezes o procedimento de entrada e saída de stock e que não poderia fazer a troca de algo que tinha sido para há menos de 40 segundos. Nunca falei para a senhora, mas ela insistentemente dizia "A senhora tá a perceber?" Calmamente disse-lhe: "Minha senhora, nós não nos vamos incomodar por uma troca de gelados, pois não? Faça favor de trocar agora, antes que derreta."

Entre dentes continuou a ruminar as palavras "stock", "entrada" e "saída", arrancou o talão de compra da máquina e lá procedeu á troca.

Despedimo-nos "Obrigada pela a atenção" e ela com uma cara de tédio e fúria, nem nos olhou.

 

Agora eu pergunto: para quê toda esta confusão para trocar um calipo por um perna de pau?

O que é que ela ganharia em não trocar?

Que regra estaria a quebrar na cabeça dela?

Nunca saberei.

Uma coisa sei - a senhora que ali estava não queria tornar a nossa tarde agradável!

 

É um país de Espertos, Sabichões e Empecilhos - com estas Atitudes não vamos longe.

 

 


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publicado por anita, em 18.08.10 às 15:45link do post | favorito

Se me vires na rua

Não me fales

Não olhes para mim

Não sou eu!

 

É um vulto

Uma sombra do que fui

Os contornos do que serei

 

Se me vires na rua

Finge que não sou eu

Nem sequer te aproximes

 

Posso estar embriagada

Posso estar fora de mim

E, como os loucos

Dizer blasfémias sem fim

 

Serei o que nunca fui

Disso tenho a certeza

Mas não te quero mal

Por isso, não me olhes

 

Não olhes para o que me tornei

Este farrapo sem nome

Só porque um dia sonhei

Em amar sem saber como

 

Indiferente, a vida continua a girar

E um dia será ao revés

Tantos e tantos dias pensando

Quais marinheiros, há mais marés

 

E aí,

Vais querer amar-me

 

Mas eu

Não te reconhecerei.

 


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