idéias soltas
Quinhones
Idéias, Memórias, Frases, Textos
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publicado por anita, em 30.01.11 às 22:52link do post | favorito
 

 

Rui Veloso é daqueles cantores que me acompanham desde a adolescência....terá começado pelos 17 ou 18 anos....

O primeiro concerto na Praça de Touros de Tomar....semana académica, gritavamos com todas as forças O anel de Rubi....naquela altura queria dizer tudo, os sentimentos estavam ao rubro e havia um mundo por explorar!

 

O mundo está aí, ainda por desbravar mas desprovido daquele encanto que sentia.

Girou depressa demais, este mundo inquietante, surpreendente e fugidío.

 

O tempo vai passando, sinto que agora mais depressa, foge por entre as mãos como água e não o consigo deter.

 

Um mês e tudo na mesma.

Outros meses e tudo na mesma.

 

Hoje, fica-nos a música.

 

Amanhã...quem saberá?


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publicado por anita, em 30.01.11 às 21:40link do post | favorito

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publicado por anita, em 24.01.11 às 23:24link do post | favorito

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publicado por anita, em 23.01.11 às 19:11link do post | favorito

"Atrasando o correr da sua noite, dividindo-a em diferentes partes separadas umas das outras, a senhora de T. soube imprimir ao escasso lapso de tempo que lhes coubera como que uma pequena arquitectura maravilhosa, como que uma forma. Imprimir forma numa duração, tal é a exigência da beleza, mas também da memória. Porque o que é informe é inapreensível, imemorizável. Conceber o seu encontro como uma forma foi para ambos muito particularmente precioso, visto que a sua noite ficaria sem amanhã e só na lembrança poderia repetir-se.

 

Há um elo secreto entre a lentidão e a memória, entre a velocidade e o esquecimento. Evoquemos uma situação extremamente banal: um homem caminha na rua. De repente, quer lembrar-se de qualquer coisa, mas a lembrança escapa-lhe. Nesse momento, maquinalmente, o homem atrasa o passo. Pelo contrário, alguém que queira esquecer um incidente penoso que acaba de viver acelera sem dar por isso o ritmo da sua marcha como se quisesse afastar-se depresa do que, no tempo, lha está ainda demasiado perto.

 

Na matemática existencial, esta experiência assume a forma de duas equações elementares:

 

              O grau da lentidão é directamente proporcional à intensidade da memória;

              O grau da velocidade é directamente proporcional à intensidade do esquecimento."

 

In A Lentidão, Milan Kundera

 

Esta pequena passagem do livro de Milan Kundera, remete-nos para a palavra Paulatino, Paulatinamente e outras derivações.

Segundo o dicionário, Paulatinamente é um Advérbio

  

pau.la.ti.na.men.te

  1. de modo paulatino
  2. pouco a pouco, devagar, vagarosamente, com lentidão

Tal e qual Saturno que demora 29 anos para dar a volta ao sol e todos as pessoas por ele regidas, para quem acredita nestas coisas.

 

Podia escrever aqui dezenas de frases feitas acerca desta palavra: Devagar se vai ao longe, Tudo o que demora a conquistar sabe melhor, Devagar e sempre, etc, etc.

 

Mas aderi tão bem a esta conjuntura lenta que ajo paulatinamente, diria que beirando a perguiça e não me pronuncio mais acerca deste tema.

 

Por agora.

 

 

 

 

 


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publicado por anita, em 21.01.11 às 12:45link do post | favorito

Nem a parker preta queria escrever....

A sala, rectangular, ostentava orgulhosamente 8 quadros espalhados pelas paredes brancas, nuas e sem graça.

O busto da república olhava de soslaio para as proeminentes bandeiras de Portugal e Europa no outro canto da sala....algo desconfiada, diga-se.

 

À nossa frente, a senhora conservadora lia, falava, lia outra vez.

Assenti sempre.

Quando chegou a minha vez de pronunciar algo, proferi um "assim seja" firme mas comovido.

Estava feito.

 

Nostalgicamente, percorri em segundos 10 anos de vida e rapidamente concluí uma frustação sem precedentes, uma sensação de projecto de vida conjunto que nunca o foi.

Não interessa agora os porquês...sabemo-los há anos.

Interessa agora, isso sim, reconstruir as bases de um novo projecto, sustentadas no mais puro sentimento.

Reinventar formas de estar, de ser e de amar.

Porque amar é uma reinvenção diária e eu acredito no amor!

Portanto, se a vida é um livro, então no meu, fechou-se um capítulo.

 

E abre-se outro.

 

Começo agora mesmo a escrever o próximo, sem dramas, rancores ou mágoa.

Com muita vontade de recuperar o meu "eu", alegre, convicto, com garra e cheio de esperança no tal "amanhã melhor"....este, que só eu posso proporcionar a mim mesma.

 

Haveria muitos sítios para o iniciar - escolhi o local mais ocidental da Europa, ou melhor dizendo, perto!

O Guincho!

 

Frio, ventoso, mar verde/azul densos e profundos!

 

Aparentemente sereno, as suas ondas espumavam em vagas ritmadas, soltando pequenos arco-íris que se projectavam no céu.

A areia teimou em dançar com o vento que se intensificou e decidi voltar.

 

Naturezas.

 

Não há igual.


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publicado por anita, em 21.01.11 às 00:46link do post | favorito

Estava à janela e olhei a lua cercada por um nevoeiro ténue..."amanhã vai chover", pensei.

Ao longe ouvem-se os sons do farol de Santa Marta: o nevoeiro vem mesmo aí!

Durante uns 5 dias que o nevoeiro não largou a Capital e arredores. Sempre que saí de casa de manhã, o cenário repetiu-se - sol, A16, sol, chegava a Algueirão um Nevoeiro cerradíssimo e até Loures me perseguia, sem tréguas. A mim e a todos os alfacinhas, de gema ou sem ela.

O cenário da saída do túnel da CREL e início da descida da Ponte de Loures é tenebroso com nevoeiro - imagino-me sempre num filme mudo onde nada se ouve, apenas o roncar do motor do carro. Claro que como levo sempre a música num nível de decibéis desaconselhado, ouço também a música, mas noutro dia dei-me ao trabalho de a desligar, apenas para ouvir o som do silêncio.

 

 

Poema de Fernando Pessoa - Nevoeiro

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

É a Hora!

  

Mas deixando de parte o nevoeiro romântico, o que aconteceu foi somente isto:

  

O nevoeiro denso e persistente em Lisboa está a suscitar a curiosidade dos cidadãos que já não acreditam no regresso de D. Sebastião. A culpa é, mais uma vez, do anticiclone, cuja crista está mesmo por cima da capital, e da pressão, alta, atmosférica. Junte-se-lhe a presença do Tejo e a ausência de ventos e está encontrada a explicação.

Já lá vão três dias desde que o nevoeiro, persistente e permanente, afecta as regiões de Lisboa e do Alentejo e motivou um "seguimento" especial nos fóruns de meteorologia. A observação feita mostra que "a zona de Lisboa, muito vulnerável ao vento de leste, está sob a influência de uma massa de ar totalmente saturada de humidade que a tornou isolada do meio envolvente, devido à forte capacidade calorífica da água".

O nevoeiro formou-se "depois de uma noite com arrefecimento nocturno". Além do estado de espírito "mais sorumbático", os observadores lembram que "com nevoeiro o aquecimento é quase insignificante". Com a "atmosfera calma e sem vento, o nevoeiro anda por aí a passear lentamente". Um nevoeiro "que provoca mais frio de dia do que na madrugada".

O fenómeno deve-se "a uma conjugação de factores", explica o geógrafo Mário Marques. Um "é a localização do anticiclone, cuja crista tem o núcleo centrado mesmo por cima de Lisboa", adianta o especialista. Uma localização que "permite manter a pressão atmosférica alta e estável". A presença do Tejo "e da bacia hidrográfica potenciam o aumento da humidade, a que se junta a ausência de vento que promova o arrastamento das neblinas", afiança o especialista Uma "conjugação de factores pouco habituais e que contribuem para a permanência do nevoeiro".

E a tendência é para continuar, "embora menos denso à medida que o vento aumente de intensidade", pois este "é um período de alguma variabilidade atmosférica com nevoeiros, geadas e descida das temperaturas e acentuado arrefecimento nocturno".

 

E não, o D. Sebastião não apareceu, meus caros!!!


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publicado por anita, em 16.01.11 às 21:18link do post | favorito

"Ela pensa nele, sabe que ainda não o deixou realmente e já sente a sua falta. Sente saudades dos passeios à beira-mar, das conversas que os uniam nos momentos em que estavam juntos e não pensavam se eram só momentos, do tempo que se prolongava à mesa do restaurante que preferiam, das noites de amor em que amanheciam abraçados.

 

Acorda a pensar nele e vai pelo dia fora a recordar-se dele, como uma música de que gosta e não lhe sai da cabeça. Fecha a porta de casa, sem destino certo, e dá por si a percorrer as mesmas ruas, passando pelos mesmos locais onde estiveram os dois tantas vezes que já chamavam seus. Nisto, levanta-se um vento premonitório, uma nuvem negra esconde o céu claro da manhã e começa a chover. De um momento paa o outro, cai um aguaceiro tremendo, a rua transforma-se num rio, a água transborda pelo lancil do passeio, arrasta as esplanadas e espanta os clientes desprevenidos que ainda há pouco aproveitavam o sol daquela manhã de Inverno.

 

Apanhada de surpresa, ela corre a abrigar-se debaixo do toldo de uma loja, que resiste à tempestade, e ali fica, sacudindo as gotas de água antes que lhe ensopem a roupa, esperando que a nuvem se vá. Afunda as mãos nos bolsos do casaco comprido, bate os pés no chão. Tem as botas encharcadas e a bainha das calças de ganga escurecidas da água que pisou, na precipitação da fuga no início da chuva.

 

A poucos metros dela, vê passar um casal que desafia a tormenta debaixo de um frágil guarda-chuva com o padrão da bandeira inglesa, demasiado pequeno para tanta chuva. No entanto, eles marcham a passo certo, descontraidamente, seguindo o seu caminho. A mulher segura o guarda-chuva, usa um chapéu a proteger-lhe a cabeça, leva uma carteira vermelha dependurada; o homem tem o braço por cima dos seus ombros. Debaixo do toldo, ela observa--os com um sentimento nostálgico. Ao fundo, para lá daquele casal, vislumbra a luz do sol que já lhes recorta a silhueta. Também ela, há pouco tempo, percorreu aquela rua abraçada ao seu amor. Mas agora está sozinha, desolada, presa a uma decisão que tomou mas não a satisfaz.

 

A chuva pára, tão depressa como começou, o sol emerge das nuvens, libertado, volta a brilhar e reflecte-se no passeio molhado, fulge na chapa dos carros. No bolso dela, o telemóvel toca, tira-o para fora, vê que é ele, solta um suspiro, sorri, atende, ouve-o dizer tenho saudades tuas, ouve-se dizer eu também e logo começa a contar-lhe, entusiasmada, da chuva que a apanhou de surpresa, um verdadeiro temporal de pouco minutos, diz. E depois, sem mais, continuam a conversar como sempre fizeram e ela, aliviada, pensa na separação como se tivesse sido também e só um temporal passageiro."

 

Por:Tiago Rebelo, Escritor (breveshistorias@hotmail.com)

 


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publicado por anita, em 16.01.11 às 14:12link do post | favorito

Um filme morníssimo, longe de outros filmes protagonizados pelos actores presentes como Barbra Streisand, Robert De Niro ou Dustin Hoffman.

Um filme bem disposto que gira á volta do patriarca, desta feita mais velho e com problemas cardio-vasculares, uma avó ultra moderna, um avó que decidiu aprender a dançar flamenco, um enfermeiro que é convidado a ser a cara de um novo remédio no mercado e um amigo do casal que tem a tatuagem da mulher deste nas costas....uma salada russa, que dá apenas para descontrair.

 

De novo nesta trama, só o facto de todos terem envelhecido bastante, embora mantendo a boa disposição.

Não recomendo nem deixo de recomendar.


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publicado por anita, em 16.01.11 às 13:41link do post | favorito

 

 

Toda a gente devia ler este livro: profissionais ou não da arte do bem servir, é um livro que nos ensina também, como o sorrir é importante.

Sorrir a servir, sorrir perante adversidades. Faz bem diz a autora. E, sem dúvida, é o melhor remédio.

Não de uma forma jocosa ou pretenciosa perante o que temos à nossa frente. Não!

Sorrir para nós próprios e de nós próprios. Sentimo-nos muito melhor.

Hoje sorri quando li determinada frase.

"Há malta que anda totalmente perdida no tempo e no espaço", pensei.

 

Sorri tu também.

 


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publicado por anita, em 14.01.11 às 17:35link do post | favorito

"Identidade

 

Preciso ser um outro

para ser eu mesmo

 

Sou grão de rocha

Sou o vento que a desgasta

 

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando o sexo das árvores

 

Existo onde me desconheço

aguardando pelo meu passado

ansiando a esperança do futuro

 

No mundo que combato morro

no mundo por que luto nasço"

 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


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