idéias soltas
Quinhones
Idéias, Memórias, Frases, Textos
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publicado por anita, em 21.01.11 às 12:45link do post | favorito

Nem a parker preta queria escrever....

A sala, rectangular, ostentava orgulhosamente 8 quadros espalhados pelas paredes brancas, nuas e sem graça.

O busto da república olhava de soslaio para as proeminentes bandeiras de Portugal e Europa no outro canto da sala....algo desconfiada, diga-se.

 

À nossa frente, a senhora conservadora lia, falava, lia outra vez.

Assenti sempre.

Quando chegou a minha vez de pronunciar algo, proferi um "assim seja" firme mas comovido.

Estava feito.

 

Nostalgicamente, percorri em segundos 10 anos de vida e rapidamente concluí uma frustação sem precedentes, uma sensação de projecto de vida conjunto que nunca o foi.

Não interessa agora os porquês...sabemo-los há anos.

Interessa agora, isso sim, reconstruir as bases de um novo projecto, sustentadas no mais puro sentimento.

Reinventar formas de estar, de ser e de amar.

Porque amar é uma reinvenção diária e eu acredito no amor!

Portanto, se a vida é um livro, então no meu, fechou-se um capítulo.

 

E abre-se outro.

 

Começo agora mesmo a escrever o próximo, sem dramas, rancores ou mágoa.

Com muita vontade de recuperar o meu "eu", alegre, convicto, com garra e cheio de esperança no tal "amanhã melhor"....este, que só eu posso proporcionar a mim mesma.

 

Haveria muitos sítios para o iniciar - escolhi o local mais ocidental da Europa, ou melhor dizendo, perto!

O Guincho!

 

Frio, ventoso, mar verde/azul densos e profundos!

 

Aparentemente sereno, as suas ondas espumavam em vagas ritmadas, soltando pequenos arco-íris que se projectavam no céu.

A areia teimou em dançar com o vento que se intensificou e decidi voltar.

 

Naturezas.

 

Não há igual.


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publicado por anita, em 21.01.11 às 00:46link do post | favorito

Estava à janela e olhei a lua cercada por um nevoeiro ténue..."amanhã vai chover", pensei.

Ao longe ouvem-se os sons do farol de Santa Marta: o nevoeiro vem mesmo aí!

Durante uns 5 dias que o nevoeiro não largou a Capital e arredores. Sempre que saí de casa de manhã, o cenário repetiu-se - sol, A16, sol, chegava a Algueirão um Nevoeiro cerradíssimo e até Loures me perseguia, sem tréguas. A mim e a todos os alfacinhas, de gema ou sem ela.

O cenário da saída do túnel da CREL e início da descida da Ponte de Loures é tenebroso com nevoeiro - imagino-me sempre num filme mudo onde nada se ouve, apenas o roncar do motor do carro. Claro que como levo sempre a música num nível de decibéis desaconselhado, ouço também a música, mas noutro dia dei-me ao trabalho de a desligar, apenas para ouvir o som do silêncio.

 

 

Poema de Fernando Pessoa - Nevoeiro

 

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
define com perfil e ser
este fulgor baço da terra
que é Portugal a entristecer –
brilho sem luz e sem arder,
como o que o fogo-fátuo encerra.

 

Ninguém sabe que coisa quere.
Ninguém conhece que alma tem,
nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ância distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

 

É a Hora!

  

Mas deixando de parte o nevoeiro romântico, o que aconteceu foi somente isto:

  

O nevoeiro denso e persistente em Lisboa está a suscitar a curiosidade dos cidadãos que já não acreditam no regresso de D. Sebastião. A culpa é, mais uma vez, do anticiclone, cuja crista está mesmo por cima da capital, e da pressão, alta, atmosférica. Junte-se-lhe a presença do Tejo e a ausência de ventos e está encontrada a explicação.

Já lá vão três dias desde que o nevoeiro, persistente e permanente, afecta as regiões de Lisboa e do Alentejo e motivou um "seguimento" especial nos fóruns de meteorologia. A observação feita mostra que "a zona de Lisboa, muito vulnerável ao vento de leste, está sob a influência de uma massa de ar totalmente saturada de humidade que a tornou isolada do meio envolvente, devido à forte capacidade calorífica da água".

O nevoeiro formou-se "depois de uma noite com arrefecimento nocturno". Além do estado de espírito "mais sorumbático", os observadores lembram que "com nevoeiro o aquecimento é quase insignificante". Com a "atmosfera calma e sem vento, o nevoeiro anda por aí a passear lentamente". Um nevoeiro "que provoca mais frio de dia do que na madrugada".

O fenómeno deve-se "a uma conjugação de factores", explica o geógrafo Mário Marques. Um "é a localização do anticiclone, cuja crista tem o núcleo centrado mesmo por cima de Lisboa", adianta o especialista. Uma localização que "permite manter a pressão atmosférica alta e estável". A presença do Tejo "e da bacia hidrográfica potenciam o aumento da humidade, a que se junta a ausência de vento que promova o arrastamento das neblinas", afiança o especialista Uma "conjugação de factores pouco habituais e que contribuem para a permanência do nevoeiro".

E a tendência é para continuar, "embora menos denso à medida que o vento aumente de intensidade", pois este "é um período de alguma variabilidade atmosférica com nevoeiros, geadas e descida das temperaturas e acentuado arrefecimento nocturno".

 

E não, o D. Sebastião não apareceu, meus caros!!!


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